segunda-feira, 11 de abril de 2011

Recolhi-me

Encontro-me recolhida. Afastada do mundo. Aqui, onde eu estou, tudo
que ouço são os zumbidos dos mosquitos que insistem em atormentar o
meu sossego. Eu não tenho dormido, apenas coloco minha mente para
descansar. Não adianta me ligar, mandar torpedo, fax ou e-mail. Estou
escondida até da tecnologia. Nem carteiros passam por aqui. Talvez uma
parte de mim diga: "estou com saudade" e queira voltar. Mas a outra ainda
resiste. Quero ficar aqui mais um tempo. Só preciso do suficiente
para me conhecer melhor e, assim, ficar de bem comigo. Temos brigado.
Sim, eu comigo mesma. Mas isso passa... Talvez eu demore mais alguns
dias, semanas ou até meses. Só lhe peço um favor: me espere!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Distraída - Parte II

Ela era esquisita
Desajeitada
Estranha
Alienada
Completamente desligada

Distraída

Todo dia era igual
O mesmo tombo
O mesmo esquecimento
Os mesmos arranhões
Talvez agora em lugares diferente

Já nem mais se importava
Não sentia mais dor
Já nem sentia vergonha
De torcer o pé na rua
Derrubar os cadernos no ônibus
Enrolar nos fios espalhados
E desligar tudo

Não estava nem aí
Porque era alienada
De tudo, todos
E até mesmo de si mesma

Um dia caiu
Como caía nos outros
Mas agora não foi parar no chão
Mal viu o que aconteceu
Foi rápido 
Dessa vez não teve arranhão

Foi acolhida
Segurada
Aparada por dois braços
- fortes -

Aqueles braços ela conhecia
Não eram estranhos
Já havia sentido também aquele perfume
O sorriso era o mesmo
Os olhos eram os mesmos
Igual era também a voz

Sim! Era ele
Aquele rapaz sumido
Que ela tentava esquecer
Mas as lembranças voltavam
Como que num caso mal resolvido

E se não bastasse
Ele a acolheu como se nada tivesse acontecido
Como se não tivesse existido nenhum mal entendido


E, pelo menos dessa vez,
Ela gostou de ser distraída
Desajeitada
Estranha
Alienada
Completamente desligada

Pois por um ato
Desses de pura distração
Ela caiu novamente nos braços
Daquele moço que tinha lhe roubado o coração


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Soneto de uma despedida temporária

Era uma vez um Sol, um ser muito importante
Brilhava todos os dias, por anos
Alegrava várias pessoas, ajudava ela nos seus planos
Esse Sol sempre raiava até anoitecer, desde o tempo mais distante

Um dia se despediu de todos e foi dormir como sempre fazia
Eis que na hora do amanhecer ele não apareceu
Todos ficaram assombrados e procuraram saber o que aconteceu
O Sol ainda estava dormindo, mas não quis mais acordar - não haveria mais dia!

Aquele Sol estava muito cansado
Foi obrigado a tirar um tempo de férias, precisava mesmo descansar
Talvez ele não tivesse ideia de como isso deixaria o povo desesperado

Todo mundo chorava, foi muita tristeza...
Mas eles precisavam saber que um dia, novamente, aquele Sol vai voltar a raiar
Vai brilhar ainda mais forte e esquentar o coração de todos aqueles que conheceram sua beleza!



P.s.: Descanse bem, meu Sol!

sábado, 14 de agosto de 2010

Procura-se Inspiração



Estou perdida
Totalmente sem localização
Busquei por uma ajuda qualquer
Uma simples informação

"Quando venderão o segundo lote?"
Preciso correr pra comprar
Vou ser a primeira da fila
Dessa vez de fora não de posso ficar

Foi quando me falaram:
"Apressar não adianta,nem precisa correr.
Vendemos todos os lotes
Nem um ingresso sobrou pra você!"

Pronto! Era o fim!
Estava totalmente de fora.
E não era a primeira vez
Já havia perdido outrora

Estava bem na hora
Iria começar a distribuição
E devido ao meu atraso
Mais uma vez eu não receberia a "Inpiração"

Procurei então outros meios
De "Inspiração" encontrar
Mas tudo parecia impossível
Já tinha perdido muito tempo
Mas não estava na hora de parar

Procurei por todos os lugares
Shopping, restaurantes e bares
Praia, Clube, Cachoeira
Até na casa dos meus familiares

Mas a danada tava escondida
Ou talvez não
Meu Deus! Socorro!
Será que sequestraram a minha Inspiração?

Pago o resgate!
Tudo que pedirem eu pagarei
Farei tudo ao meu alcance
Mas jamais sem ela eu ficarei

E se foi acidente?
Chamem a emergência!
Procurem em todos os hospitais!
Preciso dela, com urgência!!!

Não a encontro
E nem dela ouço falar
Vou chamar a imprensa
E nos jornais anunciar

Vai ficar bem grande na manchete:
"Moça procura Inspiração!"
Se logo não a encontrarem
Vou sofrer de vazio no coração


P.s.:

Mas uma coisa eu prometo
Quando a danada eu encontrar
Textos tão non-sense e toscos - como esse
Aqui nesse blog eu jamais irei postar

domingo, 4 de julho de 2010

"Um café e um blog com duas colheres cheias de inspiração, por favor!"




Gostaria de sugerir um novo verbo para a lingua portuguesa: Blogar!

Eu Blogo
Tu Blogas
Ele Bloga
Nós Blogamos
Vós Blogais
Eles Blogam

É um verbo principal, mas não dispensa um auxiliar:

Eu Comento
Tu Comentas
Ele Comenta
Nós Comentamos
Vós Comentais
Eles Comentam

Eu sei que esse não é inédito, mas talvez nunca foi tão usado quanto agora.

Todo mundo bloga, todo mundo comenta!

Também temos um novo adjetivo: Blogueiros!

Eu,tu, ele, nós, vós, eles... somos todos Blogueiros!

Mas ainda existe uma outra palavra, uma que dipensa classificação e conjugação. Mas que é indispensável: Inspiração!

Se tivermos Inspiração, blogamos e comentamos.

E se ela faltar, a gente bloga do mesmo jeito... e assim saem textos toscos, como esse!

E de verbo o 'blog' volta a ser um objeto:

"Um café e um blog com duas colheres cheias de inspiração, por favor!"



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sentimentos (des)equilibrados


Confesso que hoje eu estou com muita vontade de escrever.

Queria poder arrancar do meu peito toda essa angústia, essa agonia, esses sentimentos malditos que insistem em me pertubar nessa fria noite de sexta-feira. Arrancá-los e jogá-los num papel em forma de uma bela poesia ou de uma carta de amor, colocá-la dentro de uma garrafa e depois jogar no mar - assim como nos filmes - porque talvez alguém, lá longe, no outro continente a encontre. E talvez esse alguém goste e perceba todo o sentimento ali escondido.

Mas enquanto a poesia/a carta de amor não sai da minha mente resolvo ler o que outras pessoas escreveram antes de mim. E encontro ali, muitas vezes em palavras simples, um conforto, um consolo... algo que não consigo explicar. E de repente, todos aqueles sentimentos ruins são transformados em esperança, saudade, alegria...

Como que numa balança, sinto-me novamente equilibrada - pode até parecer, mas isso não é bom. Fico confusa: sem vontade de chorar, mas também sem vontade de rir. E, então, fico 'sem sentido'...

"Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada"

sábado, 22 de maio de 2010

"Desculpa, estou um pouco atrasada..."



Decidi colocar um ponto exclamação no meu passado para terminá-lo de uma forma amigável. Há muito tempo eu tenho tentado fazer isso e sempre mudo de ideia, principalmente, quando resolvo reler todas as mensagens arquivadas na memória do meu celular. Mas já estava cansada de viver o meu hoje presa no que fui ontem. Cansei de viver de nostalgias, choramingando pelos cantos o que já passou enquanto me esquecia de sorrir o que estava acontecendo e de criar expectativas para o que estaria pra acontecer. Comecei,então, por deletar todas aquelas mais de 300 mensagens do celular.

Eu não quero esquecer definitivamente o meu passado e muito menos as pessoas que nele estiveram presente. Quero apenas abrir meus olhos, enxergar além e acreditar que o que eu vou viver no futuro vai ser muito melhor do que tudo que vivi no passado. Tudo mudou em minha vida! Muitas coisas aconteceram nessas quase duas décadas de existência. E os objetivos que eu tenho hoje não são, nem chegam perto, dos que eu tinha há algum tempo atrás.

Eu estive completamente perdida durante um tempo, não sabia onde e nem como me reencontrar. Mas apesar da demora e da longa busca sinto que agora, finalmente, estou andando no caminho certo... um dia eu me acho por inteiro - "espero que ainda dê tempo".




Uma música pra hoje:
Por Onde Andei - Nando Reis