quarta-feira, 20 de março de 2013

Free water!!! - diário de viagem

Peço logo perdão pra quem ficou esperando por um diário de viagem que fracassou... Quer dizer, na verdade está tudo registradinho aqui, na minha memória e, apesar do atraso, vou tentar repassar tudo pra vocês.

Todo Brasileiro que vai pela primeira vez à América deve ficar surpreso igual eu fiquei. É uma infinidade de coisas novas, diferentes, bizarras e engraçadas que, se tentássemos registrar tudo, acabaria logo com algumas memórias de câmeras fotográficas...

Mas nada me surpreendeu tanto quanto a "free water"!

Eu estava com uma amiga em Santa Mônica, na minha primeira semana, quando resolvi entrar no Starbucks pra comprar uma água. Poderia comprar água em qualquer outro lugar, mas fiz questão de ir ao Starbucks porque lá eu teria "free wifi" (isso dá outra crônica). Entrei na fila e quando chegou minha vez o atendente me perguntou qual era meu pedido.

- Só água, por favor!

- Pode ser esse tamanho? - perguntou me mostrando um copo de tamanho médio.

- Claro. Quanto é?

Ele me olhou com uma cara de "Whaaaat? O que você tá perguntando?".

- How much is the water? - perguntei de novo.

- A água é "free". - respondeu ele rindo de mim como se eu tivesse feito a pergunta mais absurda do mundo.

- FREEEEEEEEEEEEE? Sério? Como? No Brasil nós pagamos pela água no Starbucks.

- Como isso é possível? - ele perguntou.

- Não sei. Mas pagamos e pagamos caro.

- Vocês pagam por água lá? Preciso montar um Starbucks com free water no Brasil.

- Sim, por favor! - eu disse.

O moço simpático (todo mundo era simpático naquele lugar, mesmo com o frio hahaha) virou pra pegar a minha água, levantou a mão com o copo vazio e disse:

"FREE WATER PRA BRASILEIRA!"

Saí daquele lugar bestificada! "Como podem dar água assim, de graça?". Eles eram estranhos, até eu descobrir que em todos os lugares a água é de graça e, em quase todo canto ainda tem um "free petisco" - seja um pão delicioso na Cheescake Factory ou um chips com molho ardido nos restaurantes mexicanos. Na verdade, estranhos somos nós. "Como é possível isso, ficar pagando por água?"

Tentei ir num Starbucks aqui no Rio e pedi água, me deram uma garrafa quente e ainda me cobraram 4 reais.

Saudade do tempo e do lugar onde a água era de graça... e geladinha!


(não gastei nem um centavo com as águas das imagens acima) ;)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Diário de viagem #2

(fico devendo o #1)

- a viagem!

Engraçado que quando se viaja sozinha qualquer movimento é suspeito - ainda mais depois que uma amiga manda você tomar cuidado com o passaporte, porque existem quadrilhas especializadas em roubar passaporte com visto americano e uma outra amiga te conta casos de jovens que foram deportadas. Eu estava atenta, de fato!

Além do acima mencionado, eu tenho dificuldade pra dormir em viagens - ainda mais em viagens longas e desconfortáveis. Outro problema é que todo mundo começou a dizer: ande pelo avião pra você não ter trombose! Como andar pelo avião e cuidar do passaporte ao mesmo tempo era algo que perturbava meus pensamentos.

Tive a sorte de não ter mais ninguém na mesma fileira, mas não consegui aproveitar do espaço e descansar: tava preocupada com meu passaporte! Mas umas 3-4h depois de decolar cochilei. Mas acordei lembrando de todas as vozes (e de recados no face e no quadro da minha casa): "ande pelo aviao".

Foi quando tomei um grande susto: surgiu de repente uma velha do meu lado. Nao vi como ela chegou, mas so conseguia pensar em como ela estaria interessada no meu passaporte - e alguns dollares tambem. Decidi ir ao banheiro ( com a bolsa, claro) pra ver o que ela faria, mas quando voltei ela ja nao tava mais lá. Desapareceu!!

Se não bastassem as 7h de voo Rio-Panamá, fomos informados com pouco mais de 1h pra completar o destino que seríamos desviado para o aeroporto de bogotá, por causa de uma pane elétrica no Tucumen.

E foi nessa hora que pensei: "essas coisas só acontecem comigo. Todo mundo viaja sem problemas... Eu sou muito sorturda!" (Sarcarmo) Mas de fato fui sortuda, desembarquei no Panamá por volta de 10h da manha (horario local) e descobri que o voo que eu deveria estar em direção à Los Angeles estava atrasado, mas decolaria em 15min. Corri! Passei por umas mulheres que me fizeram abrir a mala de presente e me questionaram pra que tanto chocolate?! Mas me liberaram...

Quando entrei no avião tive outro problema: o aeroporto tava um caos em consequência da pane eletrica, entao varios pessoas foram remanejados. Descobri que tinham 2 pessoas com o bilhete 6A(eu era uma) e 2 com o bilhete 6B. Mas ao meu lado tinham duas amigas que viajavam juntas. Pra resolver o problema, o comissário trocou as duas de lugar: foram pra classe executiva!!! :0 "Por que não eu?! Esse tipo de coisa só acontece comigo! O que mais pode acontecer?" - pensei.

Aparentemente nada. Voo tranquilo. Desembarque tranquilo. Imigração tranquilo...

Mas aí chegou na parte das bagagens, fiquei uma hora esperando e nada da minha bendita mala. Depois de muito tempo fomos informados (umas 15 pessoas que vieram pela conexão) que nossa bagagem estava perdida em algum lugar no aeroporto de Tucumen no panamá. Sim, caro leitor, sou uma garota muito sortuda!!!

Fiquei um dia usando roupas emprestadas (ainda bem que tenho amigos). Mas sobrevivi, melhor ainda... As cachaças e todos os presentes que eu trouxe chegaram intactos. Eles nem sequer abriram a mala... Uffa!!!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Diário de Viagem #0

- a pré viagem

Frio na barriga, nó na garganta, falta de apetite, insônia, ansiedade, mãos suando... Não! Não! Eu não estou apaixonada! Só vou viajar em uma semana. "Mas por que esse drama todo, Joyce?" - você deve estar se perguntando. Apesar de "dramática" ser um eufemismo ao se tratar da minha pessoa, preciso admitir que essa viagem será legen... (Wait for it) dária!!! 

Garota, eu vou pra Califórnia! Não vou viver a vida sobre as ondas, porque além de não ser  surfista, viajo no inverno e sou igual gato - de água fria passo longe. Mas fato que meu destino é ser star... Quer dizer, é "star aproveitando tudo ao máximo"! 

Ok! Vou parar de fazer piadas-trocadilhos nesse exato instante - até porque tenho uma mala pra arrumar. 

Vou aproveitar esse "diário de viagem" - espero conseguir atualizá-lo com frequencia - pra manter meus amigos informados sobre minha aventuras numa terra nem muito distante assim. Como ainda não tenho fotos, segue uma música ...

até breve =)


domingo, 29 de julho de 2012

Achei o culpado!



Ontem peguei um ônibus que fez um trajeto da Zona Sul pra Zona Norte do Rio de Janeiro – e o inverso também – sentei próximo à janela, que estava entreaberta, coloquei uma música no celular, os fones no ouvido e, sentindo aquele ventinho fresco de inverno atípico carioca, a reencontrei. Sim, ela. Tava ali o tempo todo esperando por mim.

Em meus dois anos de Belo Horizonte, morei próximo à UFMG, então pegar ônibus era indispensável – à menos que eu quisesse resolver algo no centro, o que raramente acontecia. Meu trajeto diário faculdade-casa se resumia a quinze minutos de caminhada dentro do campus.

Depois que mudei pro Rio as coisas mudaram drasticamente. Sempre morei na Zona Sul, mas estudava na UFRJ que fica no campus da ilha do fundão – na zona norte. Era uma viagem diária. Ônibus lotado, pessoas de todo que é tipo, baratas, vendedores ambulantes, sol escaldante, e uma paisagem peculiar na janela. Nunca tive o costume de ler em transportes, preferia carregar algum aparelho que me possibilitasse ouvir músicas durante toda a viagem. Mas às vezes, era no ônibus que eu rascunhava trechos de crônicas que iriam futuramente pro meu blog.

Quando eu morava em BH não escrevia. Não rascunhava. Não tinha blog. Não pegava ônibus.
Em julho completei um ano de FGV, isto é, um ano estudando perto de casa – um ano sem transporte público. Um ano sem histórias rascunhadas... Meu blog estava jogado às traças. Mas ontem, ali em um ônibus lotado, com pessoas de todo tipo, com vento batendo na cara e fones no ouvido, senti vontade de escrever de novo.

E, de repente, as histórias começaram a surgir...

Lembrei-me que, por volta de dois meses atrás, fiz uma viagem pra um encontro familiar em Minas Gerais e que na volta tinha uma senhora, que roncava altíssimo, sentada ao meu lado. O dia seguinte seria lotado de atividades do mestrado e eu precisava dormir... Mas a mulher não parava. O marido dela, sentado umas duas fileiras pra trás, a acordou na primeira parada pra saber se estava tudo bem. Foi quando um garoto entrou no ônibus e dirigiu-se à poltrona que estava o marido da “roncadora-estraga-sonos-alheios”. Aquele jovem simpático – tava escuro, não consegui prestar atenção em detalhes até então – pediu pra que o senhor trocasse de lugar com ele. Preferia sentar no corredor, pois era alto, tinha pernas grandes e sentia-se incomodado com o aperto das poltronas. Aproveitando a oportunidade, pra minha satisfação, o senhor perguntou se ele poderia trocar de lugar com a sua esposa – a roncadora – e ele aceitou. Ele sentou então ao meu lado. Foi quando descobri que era moreno e, sim, tinha a barba por fazer – coincidência, não?¹ Mas eu sabia que aquele não era o MEU moreno. Sabia que ali, do meu lado, estava sentado alguém que tinha uma história completamente diferente da minha, mas que, por um par de pernas grandes e por um senhor preocupado com os roncos da sua senhora, tava cruzando minha vida e que isso me renderia uma crônica! Pensei em puxar conversa com ele, mas desisti quando ele vestiu seu casaco de moletom e colocou o capuz sobre o cabelo molhado. Tava lindo, lindíssimo... Preferi não estragar aquele momento.

Ônibus sempre me renderam histórias, mas o mais engraçado é que eu quase nunca ouço conversas alheias. Sempre coloco a música no último volume, fico apenas observando os gestos das pessoas. Cada um com suas idiossincrasias. Gosto de imaginar o que eles estão conversando e o que fazem da vida.

Ontem, por exemplo, quando olhei pro lado tinha um casal de pé – já comentei que ônibus tava lotado, né? – arrumados como se estivessem indo pra alguma baladinha na zona sul, ambos de costa pra mim. Se entreolharam, a garota começou a rir escandalosamente, o cara riu e levantou a calça. Antes mesmo disso, eu já tinha reparado – algo que era impossível de não ver – que o garoto estava com uma cueca, daquelas samba canção, super grandes, pro lado de fora da calça. Seria esse o motivo da risada? Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe! Mas foi isso que me fez rir, me fez sentir inspirada a contar pra vocês essa história. Depois eles se beijaram rapidamente, pois uma freada brusca do ônibus quase os derrubou.

Sim, querido amigo leitor, eu a reencontrei. Na verdade, ela nunca saiu do lugar. Existem vários tipos dela... INSPIRAÇÃO, sua linda, seja bem vinda de volta!

Mas e o culpado? É o ônibus, uai. Na verdade, a falta dele. Acho que pra voltar a escrever com regularidade, preciso transferir meu mestrado pra um lugar distante² ou pegar ônibus aleatórios e sair passeando pela cidade – essa última seria uma boa oportunidade pra conhecer melhor o Rio. Que, diga-se de passagem, é uma cidade encantadora e inspiradora - berço da crônica, mãe dos cronistas! Voltei a me sentir viva... Tô feliz de novo!


¹ Pra quem já conhece meus textos, já deve ter percebido que morenos, altos, com barba por fazer sempre protagonizam minhas histórias. Dessa vez não poderia ser diferente.
²  Não farei isso, fiquem tranquilos. Hehe

P.s.: 12 dias atrás recebi um e-mail fofíssimo de uma outra mineira que ganhou meu livro (Café, cálculos e crônicas) de presente e pediu pra que eu não parasse de escrever. Gostaria de destacar um trecho deste e-mail, vocês entenderão porque: "...como você, sou tão desastrada que um café no ônibus iria provocar uma catástrofe tão grande que eu não teria chance alguma com o moço ao lado, mesmo se ele fosse o amor da minha vida. Aliás, eu tenho disso, de pensar em amores da vida dentro do ônibus."- Indhiara Souza, BH

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Menina está online


- Oi, você tá acordado?

- Tô sim. Tudo bem? J

- Sim. Desculpa. Não tenho o direito de ser grossa com você. :(

- Tranq...

- Nao tenho porque tomar essas atitudes radicais. Sei que se te pedir um tempo, você me respeita.
 
- Acho que só conseguimos estar tanto tempo "juntos", nessa amizade, porque sempre houve transparência. Transparência pra dizer o que está sentido na hora em que está sentido...
 
- Mas eu não queria te deixar triste.
 
- Só fico triste quando você vai embora.
 
- Já fui embora algumas vezes e vou de novo. Mas queria te deixar bem...
 
- Sabe o que eu quero? Quero você perto, cada vez mais perto. Tenho convicção que querer, nesse caso, não é poder, mas ainda assim, eu quero!
 
- Desculpa L
 
- Sem carinha triste, por favor.
 
- Também quero você perto, mas tenho certeza que não devemos ficar juntos!
 
- Eu passo o dia pensando em você, acordo e quem me vem a cabeça é você...
 
- Me conta, como era antes de você me conhecer? 
 
- Eu era triste, andava pela rua amargurado, sem saber para onde ir...
 
- Ah, para, vai. Tô falando sério. haha
 
- Eu tive uma fase meio louca, não tinha compromisso com nada. Mas depois comecei a trabalhar fixo e só fazia isso, até te encontrar. E com você, o que mudou?
 
- Passei a dormir com o celular embaixo do travesseiro. (Risos) Eu gosto de você, sério. Aquele lance de dependência, sabe?
 
- Fico feliz em saber que quando você precisa e quando você não está bem, me procura.
 
- Sou egoísta.
 
- Amo quando seu egoísmo me escolhe!
 
- =P 

- Eu gostaria de dividir a minha vida com você, meus dias, minhas horas...meus sonhos. Não sei o nome disso e nem sei se estou interessado em dar um titulo para isso que sinto, para esse desejo...
 
- Se pudesse ficaria o dia inteiro falando com você. Morro de raiva quando não me dá atenção, quando demora responder... Mas não me apaixonei por você! Preciso dormir, boa noite!

Menina está offline!

(Continua...
...ou não)
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

DR


Por Joyce Figueiró
Certo dia uma amiga me convidou pra ir a um barzinho. Disse que tava cheia de novidades e prometeu me contar, nos mínimos detalhes.
                Nos encontramos no local e horário combinado. Foram quinze minutos de formalidades sociais , mas como sou curiosa, fui logo pro assunto.
                - Então, me conta.
                – Contar o que?
                - Oras, o que você disse que me contaria.
                – Ah sim, claro. Então, eu acabei de ter uma DR.
                – Ham? Como assim?
                – DR, ué. Discuti um relacionamento.
                – Eu sei o que é DR.
                – Então, resolvemos dar um tempo.
                - E desde quando você tava namorando? Não me contou.
                – Longa história.
                - Mas não é isso que você ia me contar?
                – Sim, mas é complicado.
                - Como assim? Você está me deixando confusa.
                – Na verdade, eu estou confusa.
                - Claro, isso é normal depois de dar um tempo em um relacionamento… peraí, que relacionamento? Não me enrola!
                – Relacionamento? O meu, oras! Ou melhor, o que falaram que eu tava tendo.
                - Ham? Como assim falaram?
                – Falaram que eu tava namorando, ué.
                - E você não tava?
                – Não sei.
                - Caramba! Você tá me deixando maluca! Ou será que você tá maluca?
                – Não, eu não. O povo que tá.
                - Que povo?
                – O povo que falou que eu tava namorando.
                - Então você não tava namorando mesmo?
                – Eh, acho que não.
                - Então por que você teve a DR?
                – Ai amiga, isso é óbvio. Eu tinha que terminar com o carinha de algum jeito.
                - Mas você não tava namorando com o carinha pra terminar com ele!!!!!!!!
                – Mesmo assim, tive que terminar pra não gerar dúvidas. Então fui lá e falei com ele.
                - E ele?
                – Ficou surpreso também.
                - Ele não sabia que vocês estavam namorando? Quer dizer, que o povo tava falando que vocês namoravam?
                 - Acho que não. Mas ele ficou chateado.
                - Claro, eu também ficaria. Odeio quando fazem fofoca com meu nome.
                – Mas não foi por isso.
                - Então por que ele ficou chateado?
                – Porque ele odeia DR’s, finais de relacionamentos e coisas do tipo.
                - Mas se não existia relacionamento, não foi um término! NÃO CONSEGUE ENTENDER ISSO?
                – Ih, você tá nervosinha, calma. Não dizem que “a voz do povo, é a voz de Deus”? Então, claro que existia um relacionamento. A gente só não sabia e quando ficamos sabendo, tivemos que terminar.
                - Você tá maluca!
                – Maluca, não. Tô triste!!
                – Triste por quê? Vai me dizer que tá triste porque terminou um relacionamento que não existia?
                – Não é por isso. Tô triste porque, se eu soubesse que tava namorando poderia ter aproveitado mais. Dei mole!
                – Acho que vou pedir uma dose de vodka.

Joyce Figueiró

segunda-feira, 12 de março de 2012