quarta-feira, 6 de julho de 2011

Elementar, meu caro Watson!

               
                Minha tia foi a primeira a matar a charada. Confesso que eu nem desconfiava quando ela soltou um: “é óbvio!”. “Mas óbvio por quê?”, perguntei. Ela não o conhecia, ela não conhecia ninguém da turma, não sabia quantos eram os homens, nem as mulheres. Eu só tinha falado, no meu jeito eufórico, as coisas básicas: tem um jornalista, tem professora, tem astróloga, veterinária, assistente social, tem uma moça tímida e tem um senhor muito simpático que deve ser como eu. “Sabe quando eu me empolgo com algo que gosto, tia? Quando leio o mesmo livro várias vezes, vejo repetidas vezes um filme... “ Ela sabe, sabe tudinho sobre a minha pessoas e meus anseios. “Mas por que ele é como você?”, ela perguntou. “Uai, acredita que ele tá fazendo a oficina pela terceira vez? Estou empolgada, deve ser muito boa.” Isso foi tudo que contei no primeiro dia. E foi o suficiente.

                Quem começou com essa brincadeira foi o Luigi! Colocou-me logo no jogo dele. Uma hora antes da segunda aula, eu era apenas uma menina ansiosa, depois que ele chegou, torne-mei aprendiz de Sherlock Holmes. Na verdade bem verdadeira, quem começou mesmo foi o Felipe – “que diacho esse treco de pseudônimos, sô?”. Mas agora que já me acostumei, até que o perdoo. Assim como perdoei o Luigi...

                Primeiro a história da “Ia Tan”. “Você não sabe quem é a Ia Tan? Mas não é óbvio?!”.Ai me senti uma burra naquela hora. O que era tão óbvio que eu não tinha percebido? Cadê o meu raciocínio lógico adquirido depois de três anos de matemática? “Tânia, quem é Tânia?” Ele perguntou. Pois é, tinha uma Tânia na sala. Sim, concordo com você leitor, sabendo disso agora tudo ficou óbvio. Mas eu não sabia, poxa! O Luigi sabia, ele sabe de tudo, é um detetive de primeira – tem todos os nossos nomes, sobrenomes, profissões e interesses.

                Qualquer movimento, qualquer comentário, qualquer expressão facial virou motivo para suspeitas.  Todos entraram na brincadeira. Eram acusações pra lá, outras cá... E foi em uma dessas que o Daniel me enganou. Ele apontou para mim, olhou firme nos meus olhos e soltou um: “Eu sei quem é você!” Caramba! Ele pareceu saber mesmo! Mas se todos achavam que eu era o Eduardo, menos o Daniel, então só podia ser ele o matemático maluco. Cheque Mate! Eu estava enganada!

                As peças se encaixaram, mas desde antes eu já podia ver um “troféu grafite de ouro” na testa do Alexandre. Pensei que eu fosse andar de metrô com o Gomes Braga na última terça. Estava tudo certo. Ele estava andando comigo pela Marquês de Abrantes, atravessou a rua e quando eu pensei que ele iria entrar junto no metrô, ele desviou. Deu uma desculpa boba, tudo tática para me distrair. Se ele quis ser tão discreto assim, então porque deixou o blog “crônica da semana”, assinado por Alexandre Vicente, logado quando comentou nossas crônicas?  Que vacilo, uma verdadeira canelada!

                E a Sanfer? Ah, fala sério! Vocês não conseguem perceber as metáforas que saem do sorriso e da serenidade da voz da Raquel? É ela! Não tenho dúvidas. Quer dizer, tenho. Até porque, como dizem: “a dúvida é a única certeza que temos”. Mas eu desconfiava e, para ajudar, o Peregrino ainda fez um comentário no primeiro texto da Sanfer falando que ela tinha o “domínio da língua portuguesa”. Quem poderia ter tal domínio? É lógico! Uma moça das Letras! 

Toda vez que leio o texto do sagrado aquário, imagino a Iohana “num papo sério” com o tal santo.  Ela é a Flora Zahra com aquele sorriso tímido e cachos no cabelo. Não tenho outro argumento além da minha intuição. Espero que ela não falhe! (Risos) Também não venha me perguntar por que, mas desde a segunda aula eu cismei que a Ana Letícia é a Laranjinha. Ela tem cara Laranja, mas no diminutivo! Não quero dizer que você tem casca grossa ou gosto azedo, amiguinha, não me leve a mal. Pelo contrário, você é doce... Docinha!

O Fever, como disse a Sanfer, foi passear junto com a personagem do seu primeiro e único texto. Digo, com 99% de certeza, que ele é o Ricardo. E, seguindo esta mesma linha de raciocínio, temos a Hortênsia e a Victor Goes que não postaram textos essa semana, mas, “por pura coincidência”, duas coleguinhas faltaram na aula passada: a Marta e a Rosa. Logo, uma é um e a outra é a outra. Assim sendo, com 50% de chance de acerto, chuto:  Marta é o Victor Goes.

O Tonico, o Peregrino e o Paulo fizeram uma confusão gigante na minha cabeça! Fiquei brincando de fazer combinações de nomes com pseudônimos. No início eu achava que o Tárcio era a criança com pensamentos futuristas e imaginei o Daniel mandando a mulher parar de encher o saco com a história da conta.  Então me sobrou a Angela com o Tonico. Reli quase todos os textos e comentários e mudei tudo. Um pouquinho de análise combinatória me levou em 6 maneiras distintas, mas com probabilidade 1/3 ou aproximadamente 33% decidi que o Tárcio era o Paulo e a Angela o Peregrino. Por falar em matemática, que título foi esse: “Dois Pierre ao quadrado é poliedro pra cateto, Eduardo!”?! Genial! Isso é coisa do Tunico, digo, do Daniel!

                Vocês conseguiram fazer uma bagunça na matemática de fazer inveja em qualquer pós-doutorando de Princeton. Geniais! Cada detalhe – coerente ou não – teve um charme particular dentro de cada texto. (Eu jamais poderia fazer essas brincadeiras em outro lugar, porque milhares de aspirantes a matemáticos tentariam me oprimir). Mas aqui a gente pode tudo! Culpa da tal licença poética que, diga-se de passagem, a gente usa e abusa dela.

                Eu não percebi o que minha tia já sabia... O Matemático Esquizofrênico? É óbvio, não? Elementar, meu caro Luigi!


                               Joyce do Balaio ou seria melhor Menina de Figueiró?




p.s.: Pra quem leu e não entendeu nadicas, explico: Eu participei de uma oficina de crônicas na Estação das Letras, e todos os participantes tinham que postar um texto por semana usando um pseudônimo. Foram 4 semanas de mistério, todo mundo curioso. E hoje foi a revelação. Confesso que errei quase todos os meus palpites acima. hahaha Só acertei o Eduardo, a Ia Tan, o Gomes Braga e o Daniel.

sábado, 18 de junho de 2011

O Palhaço Herói


          Era dia de circo. Todos estavam eufóricos. A menina nunca havia assistido a um espetáculo antes. Estava empolgada. Saiu de casa com uma amiga.
         Estavam logo na entrada conversando quando apareceram os palhaços. Primeiro um, depois o outro e outro logo depois. Começaram se entrosar com as moças.  Falaram sobre tudo – sobre a queda do dólar, sobre o que frio que estava indo embora, sobre os próximos locais que estariam com o circo... Eles já estavam quase se sentindo amigos.
         De repente ela se sentiu estranha. Como se algo não estivesse muito bem. Olhou para a amiga para dizer: “não tô legal.” Mas não conseguiu concluir a frase. Estava muito fraca. As pernas amoleceram e ela acabou desmaiando no colo de um dos palhaços.       
       Foi um alvoroço. Todos se ofereceram para ajudar carrega-la. Um foi na frente abrindo o caminho. Outro gritava: “leva ela, leva ela”. E outro: “Precisa de ajuda? Posso fazer respiração boba à boca.
        Mas o palhaço corajoso não se distraiu com tamanha confusão. A segurou fortemente nos braços. E, numa rapidez incrível, chegou ao atendimento médico mais próximo.
        O palhaço sentiu-se mais tranquilo quando a viu conversando. Mesmo assim pediu para que a enfermeira a examinasse. Ele saiu porque só uma pessoa podia acompanha-la e, neste caso, a amiga era a mais indicada.
        Quando elas saíram e eles novamente se encontraram, riram muito do acontecido. Foram risos de nervosismo, vergonha e de alegria por ela estar se sentindo melhor.
        O espetáculo estava para começar. O palhaço tinha que se aprontar e elas precisavam procurar por um lugar na plateia. Despediram-se. A moça agradeceu o ato heroico do palhaço ao salvá-la. E ele disse que queria encontra-la novamente ao final do espetáculo.
        Aquele palhaço não se sentia mais um “palhaço”, de repente ele era um herói, um super-homem... O espetáculo foi sensacional. Ela divertiu-se muito com todas as apresentações, mas ainda sentia-se fraca. Foram logo para casa e não viram mais o palhaço.
       Ao sair do picadeiro o palhaço começou na busca pela menina. Procurou, procurou, procurou... Mas não a encontrou. Estava na hora de voltar para casa, mas a única coisa que o Palhaço-Super-Homem pensava era “onde estará a minha Lois Lane?”

domingo, 12 de junho de 2011

O Amor Permitido

O cabelo desarrumado
O vestido amassado
O sapato guardado

A ligação suspeita
A proposta aceita
A maquiagem perfeita

A noite esperada
A hora marcada
A saudade passada

O problema com o sentimento
O início do aborrecimento
O descontentamento 

A briga errada
A lágrima vazada
A maquiagem borrada

A tristeza da partida
A separação admitida
A noite mal dormida

A manhã angustiada
A mensagem enviada 
A resposta aguardada

A ligação recebida
A sinceridade percebida
A desculpa concedida

O jantar marcado
O coração agoniado

O abraço...
O beijo...

E o amor intensificado

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Recolhi-me

Encontro-me recolhida. Afastada do mundo. Aqui, onde eu estou, tudo
que ouço são os zumbidos dos mosquitos que insistem em atormentar o
meu sossego. Eu não tenho dormido, apenas coloco minha mente para
descansar. Não adianta me ligar, mandar torpedo, fax ou e-mail. Estou
escondida até da tecnologia. Nem carteiros passam por aqui. Talvez uma
parte de mim diga: "estou com saudade" e queira voltar. Mas a outra ainda
resiste. Quero ficar aqui mais um tempo. Só preciso do suficiente
para me conhecer melhor e, assim, ficar de bem comigo. Temos brigado.
Sim, eu comigo mesma. Mas isso passa... Talvez eu demore mais alguns
dias, semanas ou até meses. Só lhe peço um favor: me espere!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Distraída - Parte II

Ela era esquisita
Desajeitada
Estranha
Alienada
Completamente desligada

Distraída

Todo dia era igual
O mesmo tombo
O mesmo esquecimento
Os mesmos arranhões
Talvez agora em lugares diferente

Já nem mais se importava
Não sentia mais dor
Já nem sentia vergonha
De torcer o pé na rua
Derrubar os cadernos no ônibus
Enrolar nos fios espalhados
E desligar tudo

Não estava nem aí
Porque era alienada
De tudo, todos
E até mesmo de si mesma

Um dia caiu
Como caía nos outros
Mas agora não foi parar no chão
Mal viu o que aconteceu
Foi rápido 
Dessa vez não teve arranhão

Foi acolhida
Segurada
Aparada por dois braços
- fortes -

Aqueles braços ela conhecia
Não eram estranhos
Já havia sentido também aquele perfume
O sorriso era o mesmo
Os olhos eram os mesmos
Igual era também a voz

Sim! Era ele
Aquele rapaz sumido
Que ela tentava esquecer
Mas as lembranças voltavam
Como que num caso mal resolvido

E se não bastasse
Ele a acolheu como se nada tivesse acontecido
Como se não tivesse existido nenhum mal entendido


E, pelo menos dessa vez,
Ela gostou de ser distraída
Desajeitada
Estranha
Alienada
Completamente desligada

Pois por um ato
Desses de pura distração
Ela caiu novamente nos braços
Daquele moço que tinha lhe roubado o coração


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Soneto de uma despedida temporária

Era uma vez um Sol, um ser muito importante
Brilhava todos os dias, por anos
Alegrava várias pessoas, ajudava ela nos seus planos
Esse Sol sempre raiava até anoitecer, desde o tempo mais distante

Um dia se despediu de todos e foi dormir como sempre fazia
Eis que na hora do amanhecer ele não apareceu
Todos ficaram assombrados e procuraram saber o que aconteceu
O Sol ainda estava dormindo, mas não quis mais acordar - não haveria mais dia!

Aquele Sol estava muito cansado
Foi obrigado a tirar um tempo de férias, precisava mesmo descansar
Talvez ele não tivesse ideia de como isso deixaria o povo desesperado

Todo mundo chorava, foi muita tristeza...
Mas eles precisavam saber que um dia, novamente, aquele Sol vai voltar a raiar
Vai brilhar ainda mais forte e esquentar o coração de todos aqueles que conheceram sua beleza!



P.s.: Descanse bem, meu Sol!

sábado, 14 de agosto de 2010

Procura-se Inspiração



Estou perdida
Totalmente sem localização
Busquei por uma ajuda qualquer
Uma simples informação

"Quando venderão o segundo lote?"
Preciso correr pra comprar
Vou ser a primeira da fila
Dessa vez de fora não de posso ficar

Foi quando me falaram:
"Apressar não adianta,nem precisa correr.
Vendemos todos os lotes
Nem um ingresso sobrou pra você!"

Pronto! Era o fim!
Estava totalmente de fora.
E não era a primeira vez
Já havia perdido outrora

Estava bem na hora
Iria começar a distribuição
E devido ao meu atraso
Mais uma vez eu não receberia a "Inpiração"

Procurei então outros meios
De "Inspiração" encontrar
Mas tudo parecia impossível
Já tinha perdido muito tempo
Mas não estava na hora de parar

Procurei por todos os lugares
Shopping, restaurantes e bares
Praia, Clube, Cachoeira
Até na casa dos meus familiares

Mas a danada tava escondida
Ou talvez não
Meu Deus! Socorro!
Será que sequestraram a minha Inspiração?

Pago o resgate!
Tudo que pedirem eu pagarei
Farei tudo ao meu alcance
Mas jamais sem ela eu ficarei

E se foi acidente?
Chamem a emergência!
Procurem em todos os hospitais!
Preciso dela, com urgência!!!

Não a encontro
E nem dela ouço falar
Vou chamar a imprensa
E nos jornais anunciar

Vai ficar bem grande na manchete:
"Moça procura Inspiração!"
Se logo não a encontrarem
Vou sofrer de vazio no coração


P.s.:

Mas uma coisa eu prometo
Quando a danada eu encontrar
Textos tão non-sense e toscos - como esse
Aqui nesse blog eu jamais irei postar